The Handmaid’s Tale de Margaret Atwood

  • Editora: Vintage
  • Páginas: 326
  • Ano da Primeira Publicação: 1985
  • Género: Ficção/ Distopia

Classificação: 5/5

Genial, assustador e realista. Estas são, para mim, as três grandes características desta distopia que me arrebatou na última semana. Não é uma história com um final feliz. É um alerta. 

The Handmaid’s Tale é um relato na primeira pessoa de uma mulher que vive na República de Gilead – um novo estado localizado no território norte-americano – onde o fanatismo religioso impera. Offred, como ela se apresenta, é uma parideira – uma mulher cujo único objetivo é dar à luz a crianças para famílias mais abastadas com problemas de infertilidade criarem. Para o efeito, Offred não tem qualquer liberdade ou direito sendo única e exclusivamente um meio para entregar crianças a outros. Pelo facto da fertilidade ser algo raro, ela tem de se sacrificar passando temporadas na casa das famílias sem filhos onde tem relações sexuais com os maridos (os comandantes) na presença das suas esposas numa cerimónia religiosa aberrante. A alternativa a esta cerimónia são as colónias – que nada mais são do que campos de concentração cheios de radiação. Em Gilead, todas as mulheres pertencem a uma categoria: ou são esposas ou parideiras (as que podem) ou criadas (Marthas). Todas as outras não existem. 

Ao longo deste conto, Offred vai nos contando o seu dia a dia enquanto Handmaid (nome atribuído às pardieiros) de um casal sem filhos. O seu relato é cru e frio transmitindo ao leitor a atmosfera vivida em Gilead onde conceitos como identidade individual e autonomia pessoal deixaram de existir. Ao mesmo tempo que vai relatando o seu dia, Offred vai-nos dando pistas sobre alguns acontecimentos que levaram à instauração da República de Gilead. Por exemplo, ficamos a saber que o evento catalisador desta tirania religiosa foi um ataque terrorista que matou não só o Presidentes Estados Unidos como igualmente todos os membros do Congresso. A instauração do regime foi facilitada pelo facto de o dinheiro como nós o conhecemos ter deixado de existir passando todas as compras e transações a ser feitas de forma eletrónica. Os membros da Gilead começaram por justificar a necessidade de impor limites às liberdades civis em virtude de ameaças não só externas como internas que tinham que ver com a violência extrema a que as mulheres eram sujeitas nos EUA como era o caso das violações e do assédio. Engraçado como se procuram sempre justificar limitações às liberdades das mulheres com recurso a ideias de que estas, fisicamente mais frágeis, precisam de ser protegidas. 

Na minha opinião, The Handmaid’s Tale é aterrador porque é realista. A nossa narradora está constantemente a viajar entre os períodos antes e pós-Gilead e quando a vemos descrever o início da sua vida adulta, conseguimo-nos identificar com o que ela viveu. Porque de um momento para o outro, ela perdeu a sua família, o seu nome, a sua identidade e a sua liberdade. Num dia, ela estava de jeans e T-shirt e no outro de vestido vermelho e véu branco a servir uma qualquer família infertil. Uma parte que me chocou particularmente e que demonstra todo a ideia subjacente a Gilead foi aquela em que um dos personagens, anos depois dos eventos narrados por Offred, explica que o nome Offred foi atribuído à nossa protagonista em razão desta servir uma família cujo patriarca se chamava Fred. Ou seja, com a plena instauração do regime, uma das formas de suprimir a identidade individual dos habitantes de Gilead foi através da sua renomeação. E a perversidade deste comportamento assume ainda especial contorno quando se percebe que cada uma destas pessoas terá um nome que facilmente permitirá a identificação da sua condição como se de um qualquer produto identificável através de um código de barras se tratasse.

Como devem saber, este livro foi, recentemente, adaptado pela Hulu numa série protagonizada pela Elizabeth Moss. Ainda não vi a série mas as críticas têm sido fantásticas. 

Queres ler este livro? Podes encontrá-lo aqui.

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