We Should All Be Feminists de Chimamanda Ngozi Adichie

  • Editora: Harper Collins Publishers
  • Páginas: 64
  • Género: Não Ficção/ Ensaio
  • Ano da Primeira Publicação: 2014

Classificação: 5/5 

A primeira vez que vi a Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie falar foi no youtube – numa palestra Tedx – em que o tema era o feminismo na Nigéria e a sua importância (não sei se esse era o título exato da palestra). Eu devia estar no meu terceiro ano na Universidade e não obstante eu já me considerar uma feminista a verdade é que nunca tinha ouvido ninguém falar tão eloquentemente sobre a importância da igualdade de género.

Essa palestra mudou a forma como passei a encarar a luta pela igualdade de género porque me fez perceber que a diferença vai muito para além das questões salariais ou de quem ocupa cargos de liderança. A diferença de tratamento entre homens e mulheres começa, como Chimamanda bem disse, nas nossas casas quando preparamos as meninas para a par do bom exercício da sua profissão serem boas donas de casa e os meninos para serem ambiciosos e sustentar a família. É claro que não dizemos, no nosso país, a um miúdo de 10/12 anos que ele tem de ganhar muito dinheiro para garantir o sustento da futura esposa e dos seus filhos (como acontece na Nigéria) mas não o ensinamos, na generalidade dos casos, a tratar das lides da casa como fazemos questão de ensinar às nossas meninas. Por ouro lado, continuamos a julgar mulheres que optam por uma maior dedicação à carreira. E isso posso falar por experiência pessoal. Há uma curiosidade absurda sobre o meu estatuto conjugal – tenho ou não namorado? vou casar ou não? – e sobre as minhas intenções quanto à maternidade. Quem aqui nunca ouviu perguntas como: “e namorado?” ou “quando casas?” e “filhos?”.

Claro que os homens também recebem este tipo de questões mas nunca com o tom de imposição social com que as mulheres recebem. Porque o homem solteiro de trinta e tal anos que se dedica à carreira é bem sucedido já a mulher nas exatas mesmas condições vai provavelmente ficar para tia.

Voltando ao ensaio We Should All Be Feminists, o mesmo mais não é do que a redução a escrito da palestra dada pela Chimamanda no Reino Unido em 2012 – o tal vídeo que vi há alguns anos atrás. Ainda assim é uma leitura que vale muito a pena. Estamos a falar de cerca de 52 páginas (que se lêem em pouco mais de uma hora) recheadas de pontos de vista interessantes sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje. Especificamente, a Autora refere vários exemplos da sua vida que se passam na Nigéria onde a diferença de tratamento baseado no género é ainda mais gritante. Ainda assim, é muito fácil nos identificarmos com as suas palavras porque há um elemento comum a todas as culturas – a mulher que luta pelo que quer é vista como uma ameaça. Ademais, a luta pela igualdade de género é universal e por isso deve ser lida, vivida e vencida em todas as línguas.

E desenganem-se os homens que acham que o feminismo é um movimento onde só são admitidas mulheres. Homens feministas precisam-se!

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(2) Comments

  1. Acabo de ler mais um livro dela e seu post já me deixou com vontade de ler mais um. Ela é incrível mesmo 💓

    1. Daniela Guimarães says:

      Ela é genial.. tanto a escrever como a falar! Por mais Autoras assim ☺️ Boa leitura.

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