Memória das Minhas Putas Tristes de Gabriel García Márquez

  • Editora: Dom Quixote
  • Páginas: 112
  • Género: Ficção
  • Ano da Primeira Publicação: 2004

Classificação: 3/5

Memória das Minhas Putas Tristes conta-nos a história de um velho que, no dia do seu nonagésimo aniversário, decide ter uma noite de sexo com uma virgem. Para tal, contacta a dona do prostíbulo local, Rosa Cabarcas, que lhe arranja uma menina virgem de 14 anos para essa mesma noite. O velho lá se aperalta todo e vai ter com a dita menina. Sucede que esta com os nervos acabou por tomar um calmante que a deixou num estado adormecido frustrando, dessa forma, as intenções lascivas do nosso narrador. Mas a solidão é tramada e, por vezes, o sexo acaba por ser ultrapassado pela adoração e o culto da juventude e da pureza.

Esta leitura despertou em mim sentimentos conflituantes. Por um lado, a escrita de García Marquez é belíssima e cheia de significado; por outro lado, este livro romantiza uma relação entre um velho de 90 anos e uma menina de 14 anos que está a ser vítima de lenocínio.

Assim, não obstante as reflexões super pertinentes do livro, não me consegui abstrair do desconforto que é ler sobre os traços do corpo de uma menina que ainda não saiu da puberdade. Mas Memória das Minhas Putas Tristes não é uma história de amor. É, ao invés, um ensaio sobre velhice e a vida que muitas vezes passa por nós sem nos dar algo de verdadeiramente significativo.

O nosso narrador é “feio, tímido e anacrónico” e passou toda a sua vida “sem mulher nem fortuna” no mesmo local onde “viveram e morreram os meus pais, e onde me propus morrer só, na mesma cama em que nasci e num dia que desejo distante e sem dor”. Em toda a sua vida nunca foi para a cama com “nenhuma mulher sem lhe pagar” sendo totalmente alheio ao conceito de amor. Tudo muda quando conhece a adolescente que se torna objeto do seu desejo numa espécie de mistificação da pureza. O narrador nunca chega a falar com a menina nem tem qualquer interesse em saber de onde ela vem ou quem é. O que ele quer é que todas as noites ela esteja deitada na cama de um dos quartos do prostíbulo nua e a dormir descansadamente para que, dessa forma, ele a possa contemplar. Nesses momentos, o nosso narrador não consegue deixar de pensar nas mulheres que passaram pela sua vida e na sua própria infelicidade por nunca ter sabido o que é o amor. Assim, as suas crónicas são transformadas em cartas de amor que poderiam ser de qualquer pessoa e, sem mais, o velho parece estar a morrer – não de velhice – mas de amor.

Com uma inspiração clara no romance do japonês Yasunari Kawabata A Casa das Belas Adormecidas, Memória das Minhas Putas Tristes não é o meu romance favorito de Gabriel García Marquez. Aconselho a sua leitura para um conhecimento geral da obra do autor mas deixo o alerta de que se trata do seu romance mais fraco.

As Citações Favoritas:

“Hoje sei que não foi uma alucinação mas um milagre mis do primeiro amor da minha vida aos noventa anos.”

“A sério, terminou com a alma: não vais morrer sem provar a maravilha de foder com amor”.

“A quem me pergunta respondo sempre com a verdade: as putas não me deixam tempo para ser casado.”

Queres ler este livro? Podes encontrá-lo aqui.

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