Se Esta Rua Falasse de James Baldwin

  • Editora: Alfaguara
  • Páginas: 198
  • Ano da Primeira Publicação: 1974
  • Género: Ficção 

Classificação: 5/5

Se esta rua falasse de James Baldwin conta a história de Tish e Fonny, dois jovens afroamericanos que se apaixonaram, ainda em criança, e nunca mais se largaram. Cheios de planos e ambições, os dois são confrontados, em vésperas do seu casamento, com a prisão de Fonny que é injustamente acusado de violação de uma porto-riquenha. Entretanto, Tish descobre que está grávida e as respetivas famílias do casal dividem-se. Enquanto uns se resignam às condições que lhes são impostas, outros lutam para que Fonny seja inocentado e libertado antes do nascimento do bebé.

Este tornou-se, definitivamente, num dos meus títulos favoritos de sempre. James Baldwin escreve com mestria homenageando o homem afroamericano que luta contra o racismo, diariamente, sem que isso o desmoralize.

Este romance tem tudo que ver com raça e com o papel preponderante que ela tem na concepção e identidade do ser humano. O autor oferece um olhar poético sobre o amor e as ligações que mantém a comunidade afroamericana unida prestando tributo à intimidade, ao desejo, à empatia e à família. Aqui, a atenção está nas relações entre afroamericanos que, muitas vezes, são moldadas por brutalidade policial e fanatismo religioso. Não obstante os temas profundos, o livro tem um tom muito romântico não chocando, desnecessariamente, o leitor.

Foi um dos livros mais sensuais que tive o prazer de ler e, se tivesse de o metaforizar, diria que é uma canção de blues.

Um clássico da literatura norte-americana que fala sobre a cultura e a raça negra num período muito particular da história americana que, tristemente ainda, encontra identificação nos fenómenos racistas atuais.

Citações Favoritas

“Gostava que ninguém tivesse de olhar através de um vidro para alguém que ama.”

“Acho que deve ser raro duas pessoas conseguirem fazer rir e fazer amor ao mesmo tempo, fazer amor porque riem, rirem porque estão a fazer amor. O amor e o riso vêm do mesmo lugar: mas poucas pessoas lá chegam.”

“Ele não era o preto de ninguém. E isso é crime nesta porcaria de país livre. Devemos ser o preto de alguém. E, se não formos o preto de alguém, somos um mau preto: e foi isso que os polícias decidiram que o Fonny era quando se mudou para a Baixa.”

Queres ler este livro? Podes encontrá-lo aqui.

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