O Primo Basílio de Eça de Queiroz

  • Editora: Lello & Irmão – Editores
  • Páginas: 556
  • Ano da Primeira Publicação: 1878
  • Género: Ficção – Realismo

Classificação: 4/5

Não é segredo que Eça de Queiroz é o meu autor português favorito. Tenho quase todos os seus livros representando cada um deles uma experiência literária riquíssima – uma verdadeira viagem no tempo. Percursor do movimento realista, Eça deu um novo significado à crítica social com os seus livros criando enredos com o propósito de expor as maiores idiossincrasias da sociedade Portuguesa da segunda metade do século XIX. 

Com O Primo Basílio, Eça dá atenção à realidade citadina e à instituição do casamento. Luísa é casada com Jorge, engenheiro com um relevante cargo num ministério, tendo todo o conforto pelo qual sempre almejou. O casamento dos dois é feliz e respeitado pelos seus pares da sociedade lisboeta: Sebastião, o bom amigo de Jorge; Julião, um médico ambicioso mas aborrecido com a sua vida; Conselheiro Acácio, um velho púdico e formal que se agarra aos velhos costumes como se a sua vida dependesse disso e Dona Felicidade, cinquentona beata e apaixonada por Acácio. A realidade do casal e dos seus amigos é profundamente tediosa pautando-se por conversas pseudo-intelectuais, matinês ao piano e boa manutenção das aparências e do decoro.

“- Minha querida filha, esta nossa casinha é tão honesta, que é uma dor de alma ver entrar essa mulher aqui, com o cheiro do feno, do cigarro e do resto!…”

Um dia, Luísa vê no jornal que o seu primo Basílio Brito, há muito emigrado, regressou a Lisboa endinheirado. Cheia de vontade de o rever, Luísa aproveita a ausência do marido numa viagem de negócios, para receber as visitas regulares de Basílio que, rapidamente, se transformam nos encontros de dois amantes.

“Nunca achara Basílio tão bonito; o quarto mesmo parecia-lhe muito conchegado para aquelas intimidade da paixão; quase julgava possível viver ali, naquele cacifro, anos, feliz com ele, num amor permanente, e lanches às três horas…”

Tendo por base a infidelidade de Luísa, o Primo Basílio procurou analisar e apontar os principais defeitos da burguesia portuguesa, nomeadamente, a sua futilidade, ociosidade, receio do rompimento das aparências e do estatuto social e mediocridade. Para tanto, o Autor ataca, de forma sagaz, a instituição sagrada do casamento, criando uma relação que se inicia por motivações vulgares que nada têm que ver com amor. Com efeito, cria personagens inesquecíveis sendo, nesta sede, de destacar Juliana, a empregada de Luísa, amarga, invejosa e isenta de qualquer parâmetro moral.

“Sempre fora invejosa; com a idade aquele sentimento exagerou-se de um modo áspero. Invejava tudo na casa: as sobremesas que os amos comiam, a roupa branca que vestiam. As noites de soirée, de teatro, exasperavam-na. Quando havia passeios projetados, se chovia de repente, que felicidade!” 

As personagens deste romance são, com exceção de Sebastião, decadentes e desprovidas de virtudes apresentando, entre quatro portas, comportamentos mesquinhos e indecorosos.

Como outros romances do autor, O Primo Basílio destila crítica, sarcasmo e ironia. Apresenta uma visão da sociedade muito semelhante ao Crime do Padre Amaro sendo, igualmente, um tesouro literário que deve ser devidamente apreciado. 

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(4) Comments

  1. Não consigo gostar de Eça, o estilo dele não combina nada comigo. Já Ray Bradbury (Fahrenheit 451) é o mesmo, muita descrição, engonha muito para o meu gosto 😂

    1. Daniela Guimarães says:

      Este não tem tanta descrição como os Maias, por exemplo. Ainda assim, é um livro do género realista por isso há sempre alguma descrição. Eu gosto dos finais dele e das personagens que ele cria. Neste livro, por exemplo, há uma empregada que faria a Cruela De Vil corar 😂

      1. Eu nem li os Maias, li a Cidade e as Serras 😂 foi um sofrimento. Porém, ando a ler o Mistério da Estrada de Sintra, lentamente, mas estou a saborear

        1. Daniela Guimarães says:

          Espero mesmo que gostes. Esse é o meu livro favorito dele 😊

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