Ficção Livros Opinião

As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia de Marion Zimmer Bradley

  • Editora: DIFEL – Difusão Editorial, Lda.
  • Páginas: 307
  • Ano da Primeira Publicação: 1982
  • Género: Ficção

Classificação: 4/5

A obra de Marion Zimmer Bradley dispensa grandes apresentações já que a mesma integrou o imaginário de inúmeros amantes de fantasia pelo mundo inteiro. Dividida em quatro volumes, As Brumas de Avalon reconta a lenda do Rei Arthur do ponto de vista das mulheres responsáveis pela sua ascensão. Apesar de ser aconselhável a sua leitura por ordem cronológica, qualquer um dos volumes pode ser lido de forma independente e autónoma. Por essa razão, a presente opinião refere-se, unicamente, ao primeiro volume da saga, A Senhora da Magia.

Igraine, descendente da linhagem real de Avalon, vive infeliz, em Tintagel, ao lado do marido Gorlois, Duque da Cornualha. O homem luta ao lado de Uther Pendagron contra os saxões que ameaçam a Bretanha enquanto Igraine espera pelo seu regresso ao lado de Morgause, sua irmã mais nova, e Morgaine, sua filha. Tudo muda quando a Tintagel recebe a visita da Grande Sacerdotisa de Avalon, Viviane, e do Mago Merlim, os dois representantes máximos da sabedoria da Deusa no plano terreno. Viviane e Merlim dizem a Igraine que esta terá de se deitar com Uther pois desta união nascerá o líder que unirá toda a Bretanha, o Rei Arthur.

“Não podes fugir ao teu destino. É-te dado um papel na salvação desta terra, mas a estrada para Avalon está-te vedada para sempre. Queres percorrer a estrada do teu destino, ou os Deuses terão de te arrastar contra vontade?”

A minha relação com As Brumas de Avalon não foi muito pacífica. A verdade é que, a meio da leitura, descobri alguns factos pessoais relacionados com Marion Zimmer Bradley que me fizeram questionar sobre a separação entre Autor e obra. Troquei várias ideias sobre o tema com outros leitores e todos foram unânimes: As Brumas de Avalon era uma grande história de fantasia e seria uma perda enorme para a literatura se os erros hipotéticos da sua autora interferissem na absorção e concepção da mensagem do livro.

Acabei por me abstrair de toda a polémica relacionada com a Marion e ainda bem que o fiz. De facto, estamos perante um grande exemplar do género fantástico. Todavia, reduzir a história de Igraine e Morgaine a um mero género literário, não lhe faz qualquer justiça. A Senhora da Magia estabelece as bases de uma discussão filosófica e teológica fascinante sobre o papel da mulher dando-lhe uma voz elevada, que marca todo o universo Arturiano.

“Eles acreditam – disse Viviane na sua voz aveludada e baixa – que não há nenhuma Deusa; pois o princípio da mulher, dizem eles, é o princípio do mal. O mal entrou neste mundo, segundo o que eles dizem, através da mulher. Existe um fantástico conto judeu sobre uma maçã e uma serpente.”

O leitor está perante uma história apaixonante e cheia de mulheres fortes e corajosas. É um livro que celebra a condição feminina recorrendo às ideias de religião, devoção, bruxaria e feitiçaria. A Autora criou um universo fantástico que tem na sua base muita investigação e isso nota-se na leitura enriquecendo-a muito. Estamos perante um produto de grande intelectualidade que une o melhor da ficção com factos históricos, mitológicos e lendários fazendo a nossa imaginação ganhar vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *