As Brumas de Avalon: O Prisioneiro da Árvore de Marion Zimmer Bradley

  • Editora: DIFEL – Difusão Editorial, Lda. 
  • Páginas: 324
  • Ano da Primeira Publicação: 1982
  • Género: Ficção/Fantástico

Assim termina uma épica história que marcou gerações de leitores e Autores de fantasia. Nos últimos meses, As Brumas de Avalon, nas personagens de Morgana, Arthur, Lancelet e Gwen, tem feito parte da minha vida. Uma re-imaginação poderosa da lenda do Rei Arthur que me ofereceu algumas das cenas mais memoráveis que tive o prazer de ler. Para sempre, recordarei o casamento da Deusa com o Rei-Veado na floresta sagrada de Avalon, a morte de Vivianne ou o nascimento de Gwydion, entre outros eventos. Apesar do início tímido da saga, com o volume A Senhora da Magia, a Autora d’As Brumas de Avalon foi antecipando, com cada vez maior pungência, o inevitável confronto que marcou o final da Bretanha do Rei Arthur.

N’O Prisioneiro da Árvore, Morgana ocupa, finalmente, o seu lugar como Grande Sacerdotisa de Avalon e Arthur perde os seus cavaleiros da Távola Redonda que, após uma mística aparição, partem em busca de Santo Graal. Entretanto, Gwenwyfar chora por Lancelet e Morgause e Gwydion conspiram pelo trono.

Talvez por ser o final da saga, O Prisioneiro da Árvore disse-me muito mais do que os seus antecessores. A Autora escolheu sempre abordar o lado emocional das relações entre as diferentes personagens justificando cada uma das suas ações de forma empática. Foi-me difícil desligar do tipo de proximidade que esta abordagem estimula. Dei, por mim, a torcer por um final feliz que sabia que não teria lugar mas essa é a magia desta obra ímpar. Quando iniciamos a leitura, nós já sabemos o final (quem não conhece a lenda do Rei Arthur) e isso permite um maior foco nas motivações de cada um dos seus intervenientes que, por sua vez, cria uma forte conexão entre leitor e história.

Edição d’As Brumas de Avalon em inglês

Concluída a sua leitura, facilmente descortinei a influência que As Brumas de Avalon tiveram em obras de Autores como George R.R. Martin. Refiro-me à intriga política, complexidade das personagens, tom adulto e sombrio da obra, não obstante o género, e ainda o realismo. Não se enganem! Esta é uma obra de fantasia e, por isso, há várias passagens onde a magia desempenha o papel principal. Contudo, a base da trama é incrivelmente realista, sendo as preocupações e dores das diferentes personagens bastante humanas. Não podemos dizer que aqui houve um mau e um bom da fita porque esta obra não se encontra, nesse sentido, polarizada. Todos cometem erros e, de alguma forma, se deixam levar pela ambição, fanatismo, luxúria e egoísmo. Há magia naquilo que nos é mais humano e acho que essa foi uma das mensagens mais importantes que este livro me deixou.

Que mais posso dizer? É uma história que merece ser lida e relida por fãs de fantasia, história, ficção e livros em geral.

Classificação: 5/5


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