Pyongyang – A Journey in North Korea por Guy Delisle

  • Editora: Jonathan Cape London
  • Páginas: 176
  • Ano da Primeira Publicação: 2005
  • Género: Não Ficção/ Diário de Viagem

Antes de escrever sobre Pyongyang, sinto-me na obrigação de confessar que eu era muito avessa a novelas gráficas. Sim, fazia parte daquele grupo de incultos que via a banda desenhada e as novelas gráficas como produtos infantis. A minha opinião foi mudando à medida que fui contactando, de forma mais próxima, com leitores do género que me iam dando nota de bons títulos cuja temática era tudo, menos infantil.

Ora, recentemente, andava eu por Londres, num dos meus périplos pelas livrarias locais quando me deparei com a loja de BD mais fixe de sempre. Estupidamente, não retive o nome nem fotografei a entrada. No entanto, a internet é uma invenção estupenda e uma breve pesquisa levou-me a descobrir que a loja se chama Gosh! Comics. A mesma fica em Soho e tem dois andares repletos de novelas gráficas e banda desenhada, para além de uma série de quadros fabulosos.

Bem, imbuída pelo espírito, resolvi-me a comprar Pyongyang de Guy Delisle e explorar, de uma vez por todas, este género literário que conquista, a cada dia que passa, mais fãs. E ainda bem que o fiz! O que encontrei neste diário de viagem foi muito mais do que o que eu estava à espera.

Pyongyang, como o nome indica, fala-nos sobre a capital da Coreia do Norte pelos olhos do cartoonista canadiano Guy Delisle. Aquando da sua passagem por uma empresa francesa de produções de animação, Guy foi enviado para Pyongyang para supervisionar um projeto a ser executado na Coreia do Norte. Absorvendo a experiência naquele que será o país mais isolado e secreto do mundo, Guy desenhou o seu diário de viagem, transformando-o numa bela novela gráfica.

Desenhado a preto e branco, o relato de Guy consegue ser, simultaneamente, cómico, trágico e assustador. O autor olha para a Coreia do Norte de forma sagaz e irónica contando várias peripécias com o seu guia e tradutor que, não obstante as crenças absolutas, ficam felizes com uma garrafa de conhaque ou outros produtos ocidentais. Pelo meio destas interações, vamos vislumbrando uma capital obcecada com o parecer ser e a figura do seu “dear líder”, como Guy, ironicamente, chama Kim Jong-il. Factos como o Arco do Triunfo coreano ser 3 metros mais alto que o parisiense ou no centro de Pyongyang estar localizada a maior torre de granito do mundo enchem o coração orgulhoso, mas esfomeado, dos norte-coreanos.

Guy transmite, com vivacidade, as suas emoções ao conhecer melhor a sociedade norte-coreana, criando empatia com o leitor que fica a conhecer uma cidade, não pelos seus monumentos ou história, mas pelas suas idiossincrasias do quotidiano. Este é um relato despretensioso que mais não pretende do que mostrar um pouco da vida na Coreia-Norte, sem recorrer a sensacionalismos ou debates políticos inúteis.

Uma leitura fantástica que aconselho a todos.

Classificação: 4/5

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