O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde – Uma história gótica sobre arte e beleza

  • Editora: Círculo de Leitores
  • Páginas: 221
  • Ano da Primeira Publicação: 1890
  • Género: Romance Filosófico Clássico

“O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é o objetivo da arte. O crítico é aquele que sabe traduzir de outra maneirou com matéria diferente a sua impressão das coisas belas”.

Oscar Wilde in O Retrato de Dorian Gray, prefácio.

E assim tem início O Retrato de Dorian Gray. Oscar Wilde prepara-nos para a leitura do seu único romance através de um prefácio reflexivo onde arte equivale a beleza e o artista e o crítico mais não são do que veículos de expressão. A arte deve falar a sua verdade sendo irrelevante o que o artista possa dizer ou fazer. Posso, desde já, afirmar que é o prefácio mais bonito que já li sendo que, por si só, este já valeria a leitura do livro mas não fiquem assustados porque O Retrato de Dorian Gray é bem mais do que o seu prefácio.

Publicado em formato de folhetim mensal em 1890 na revista Lippincott’s Monthly Magazine, a obra-prima de Wilde depressa se revelou polémica. Isto porque temendo uma reação adversa por parte do público, os editores da revista suprimiram mais de 500 palavras da obra, antes da sua publicação. Ainda assim, Wilde não evitou ofender a sensibilidade dos críticos britânicos que não só arrasaram com o livro como, inclusive, acusaram o seu Autor de violar as leis que protegiam a moralidade pública.

Acreditando até ao fim na sua obra, Oscar Wilde não se deixou abater e publicou, no ano seguinte, O Retrato de Dorian Gray em romance acrescentando não só o prefácio acima citado como também várias das palavras que haviam sido censuradas pela revista britânica. O sucesso foi imediato e assim nasceu, talvez, o maior exponente do movimento literário gótico que vem, desde aí, alimentando o imaginário de leitores por todo o mundo.

N’O Retrato de Dorian Gray, Dorian Gray é um jovem dotado de enorme beleza e riqueza que, após travar amizade com o pintor Basil Hallward, aceita ter o seu retrato por este pintado. O resultado do trabalho de Basil é tão fascinante que leva Dorian a desejar que, ao invés da sua pessoa, seja o quadro a envelhecer. Tal desejo é cumprido e Dorian vê a sua juventude e beleza preservada ao longo dos anos. O mesmo não acontece com o seu coração e moral que se vêem corrompidos pela influência do “dandy” Lord Henry.
⠀⠀
Este não é um romance de muitas páginas. Wilde não perde muito tempo com discrições exaustivas apostando, pelo contrário, em diálogos ricos em sátira e filosofia. Pegando na personagem de Lorde Henry, o autor dispara criticismo em várias direções que vão desde o papel da mulher na sociedade à instituição do casamento passando pelos “encantos” da América, entre outros. A par da crítica social, o romance explora a vulnerabilidade da beleza, o narcisismo e a busca pela perfeição. Não se trata aqui de um romance moral – muito pelo contrário – mas o definhamento da alma e do estado de espírito de Gray contrapõe o seu aspeto físico incólume. As aparências iludem e, no caso, Wilde não se perde com julgamentos mas também não deixa passar impune a fealdade da alma. 

“Enamorava-se cada vez mais pela sua própria beleza, interessava-se cada vez mais em corromper a sua própria alma. Examinava com um minucioso cuidado e, às vezes, com monstruoso deleite, os vincos hediondos da testa enrugada ou da boa espessa e sensual, perguntando a si próprio quais eram mais horríveis, se o estigma do pecado, se os estigmas da idade.”

Oscar Wilde in O Retrato de Dorian Gray, página 129.

Classificação: 5/5

Queres ler este livro? Podes comprá-lo aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *