The Secret History de Donna Tartt

  • Editora: Penguin Books Ltd
  • Páginas: 640
  • Ano da Primeira Publicação: 1992
  • Género: Ficção Contemporânea

Numa universidade de elite em Vermont, um jovem desajustado tenta integrar a exclusiva turma de grego clássico do renomado professor Julian Morrow. Quando finalmente o consegue, percebe que os seus colegas de turma não são tão brilhantes e etéreos como parecem e, por detrás da intelectualidade, escondem fortes intrigas que levarão ao homicídio quase perfeito.

O primeiro romance de Donna Tartt dividiu a crítica. Se por um lado, houve quem achasse The Secret History uma estreia pujante é excitante, por outro, não faltou quem o considerasse um romance pretensioso e, até, pedante. Com efeito, Tartt nunca foi uma autora muito consensual. O seu mais recente romance The Goldfinch, vencedor do Pulitzer em 2014, agitou a crítica que, mais uma vez, não soube definir o livro como genial ou extremamente aborrecido. Infelizmente, eu pertenço ao grupo que considera que o livro foi incrivelmente sobrevalorizado não merecendo, de forma alguma, o Pulitzer. Mas quem sou eu? Ninguém com autoridade ou conhecimento suficiente para questionar a escolha do júri.

Voltando a The Secret History, devo confessar que comecei a leitura a medo. Em primeiro lugar, porque detestei The Goldfinch, e em segundo lugar, porque este é um daqueles livros de culto que toda a gente “fixe” diz ter lido. Aliás, se eu tivesse de definir este livro numa única palavra, seria “hipster”. A par com os receios, ia lendo críticas incríveis ao livro o que acabou por prevalecer no momento em que, de pé na Fnac, decidi comprar e ler o livro.

E ainda bem que o fiz. Tartt escreve com mestria fazendo-nos sentir acidentais ouvintes de confidências alheias. Este é um relato íntimo e minucioso que explora a jornada de cinco jovens, incrivelmente carismáticos, na sua devoção pela Antiguidade Clássica e na luta pessoal contra o crime horrível que cometem.

Dividido em duas partes, The Secret History é um daqueles livros que não conseguimos largar. Tartt revela grande domínio sobre a idade clássica e a intimidade humana. O livro pode ser visto como sendo pretensioso, por isso mesmo. É, no final, uma tragédia grega dos tempos modernos e como todas as homenagens a períodos de ouro, sujeita a ódios e amores. Pessoalmente, já há algum tempo que não lia um livro onde as personagens roubavam, de forma tão incisiva, a cena ao Autor. Várias vezes, senti que não estava a ler o livro Tartt mas sim um verdadeiro diário num exercício de voyeurismo.

Há uma inquietação nas páginas de The Secret History que se inicia logo no primeiro parágrafo quando o narrador nos diz que alguém foi assassinado. Instantaneamente, ficamos alertas continuando a leitura com grande antecipação, não pelo futuro, mas pelo passado. Este livro é um verdadeiro triunfo e, sim, reconciliei-me com Tartt ao ponto de querer mais títulos dela (com exceção d’O Pintassilgo que não planeio reler).

O livro encontra-se lançado em Portugal pela Editorial Presença com o nome A História Secreta.

Classificação: 5/5

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