Fun Home: Uma Tragicomédia Familiar de Alison Bechdel

Uma novela gráfica belíssima que capta, na perfeição, as subtilezas da intimidade familiar.

Alison Bechdel é uma reconhecida cartoonista norte-americana contando com uma série de premiações. De entre as suas criações, destaca-se a comic strip Dykes to Watch Out For onde, para além da abordagem direta à homossexualidade, Alison popularizou o conhecido teste Bechdel que avalia graus de igualdade de género em obras de ficção. A Autora imputa no seu trabalho, de forma bastante evidente, o seu género e sexualidade sendo frequente as abordagens mais biográficas. É neste contexto que surge Fun Home, um retrato biográfico em que Alison nos fala da sua relação conturbada com o pai.

Sinopse:

Best-seller internacional e obra pioneira, Fun Home descreve a relação frágil que Alison Bechdel manteve com o pai ao longo da sua infância e adolescência. Na sua narrativa, a história íntima e pessoal de uma família transforma-se numa obre cheia de subtileza e poder. 

Exigente e distante, Bruce Bechdel era professor de Inglês e dirigia uma casa funerária – a que Alison e a família chamavam, numa pequena piada privada, a «Fun Home». Só quando estava na universidade é que Alison, que recentemente admitira aos pais que era lésbica, descobriu que o pai era gay. Umas semanas depois desta revelação, Bruce morreu, num suposto acidente, deixando à filha um legado de mistério, complexos e solidão.

Fun Home é um verdadeiro diário. Alison escreve de forma honesta e sentida transmitindo, na perfeição, as sensações de alienação e estranheza que tinha quando estava perto do seu pai. Para ela, aquele homem obcecado com decoração procurava esconder algo através dos milhares de adornos que tinha em casa. Alison procurava, incessantemente, pelo seu carinho e aprovação mas tal nunca veio. Isso acabou por fazê-la pensar na sua família como uma verdadeira farsa. Uma mãe que fazia de conta, um pai que se divertia com meninos jovens e uma completa ausência de intimidade.

Todo este contexto criou um fosso enorme entre Alison e a sua família. No centro de toda a farsa, está o pai – homossexual enclausurado que imputa a sua própria amargura nos filhos e na casa – museu cheio de ornamentos e bugigangas.

É preciso muita sensibilidade para escrever da forma como Bechdel fez. Com Fun Home, o leitor tem acesso a um lugar comum a muitos – a procura incessante pela aprovação parental. Há fragilidade e força nas páginas desta novela que reflete, profundamente, sobre relações familiares, luto e identidade.

Pelo meio, as referências literárias enchem o coração dos livrólicos mais convictos. Oscar Wilde, Homero, James Joyce e Virginia Woolf são alguns dos Autores que marcam presença em Fun Home. Isto porque ler era um dos poucos prazeres que Alison partilhava com o pai.

Fun Home é um privilégio de qualquer leitor. A sensibilidade e honestidade das suas páginas são refrescantes e, não obstante a seriedade dos temas abordados, empáticas. Desde a infância marcada por vestidos que não queria usar ao momento em que Alisson se assume, do ponto de vista artístico e sexual, esta novela gráfica leva-nos numa viagem incrível pela nossa própria vida.

Obrigada Alison!

  • Editora: Contraponto
  • Número de páginas: 240
  • Ano da Primeira Publicação: 2006
  • Género: Novela Gráfica

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