I’ll Be Gone in the Dark:One Woman’s Obsessive Search for the Golden State Killer de Michelle McNamara

Um relato frenético e confuso sobre a procura da real identidade de um psicopata.

Entre 1976 e 1986, um psicopata aterrou a Califórnia, agredindo sexualmente mais de cinquenta mulheres e deixando um rasto de treze vítimas mortais. Ele atuava à noite em bairros de classe média usando, para o efeito, uma máscara de ski. Durante anos, os únicos dados disponíveis resumiam-se a: homem caucasiano, vinte e poucos anos, grupo sanguíneo A e calçado 43. Sucede que, numa era em que o ADN não era ainda meio de prova (Sir Alec Jeffreys, professor de genética da Universidade de Leicester em Inglaterra, desenvolveu em 1985 as técnicas de impressão de ADN e de perfil de ADN, usadas em todo o mundo pela ciência forense, para ajudar o trabalho policial e também para resolver casos de paternidade ou de imigração; um ano depois, em 1986, Edward Blake, um cientista forense que trabalhava numa das primeiras companhias de biotecnologias (a Cetus), em colaboração com Bruce Budowle do FBI e com outros investigadores da Cetus, utilizaram uma técnica conhecida atualmente como PCR para a análise de provas criminais), a polícia não relacionava, sequer, os crimes sexuais com os homicídios. A convicção junto das Autoridades era a de que a Califórnia tinha sido, nos anos 80, vítima de dois perpetuadores desconhecidos – o East Area Rapist (EAR) e o Golden State Killer (GSK). Com os avanços das ciências forenses e a criação do chamado CODIS – Combined DNA Index System, foi possível, em 2001, apurar que o EAR e o GSK eram a mesma pessoa. Porém, daí à sua detenção decorreriam ainda quase vinte anos. 

Michelle McNamara, americana, ascendeu à fama com o seu blog de true crime (truecrimediary.com). Fascinada com as reais motivações do crime, a americana conta que se interessou pelo tema quando, ainda adolescente, acordou com a notícia do homicídio de uma vizinha sua. O criminoso nunca foi identificado e Michelle descobriu, nessa altura, a sua vocação: escrever sobre crimes não solucionados. A jovem tornou-se numa mulher e criou um blog sobre o tema. O objetivo era muito simples: escrever sobre crimes reais condenados, com o decorrer dos anos, ao esquecimento. Foi, neste contexto, que Michelle se deparou com a história do violador/assassino que aterrorizou a costa oeste americana, entre as décadas de 70 e 80. Teve, assim, início uma longa jornada pelo apuramento da real identidade do GSK/EAR. I’ll be Gone In the Dark é o resultado da investigação extensiva e minuciosa levada a cabo pela blogger que, infelizmente, veio a falecer antes da finalização e publicação do livro. 

Os crimes reais são, macabramente, atração para muitos, incluindo para a autora desta publicação, não sendo de admirar que, num país como os Estados Unidos, os mesmos constituíam considerável fonte de inspiração para a produção literária, cinematográfica e televisiva. É impossível falar de I’ll be Gone in the Dark – ou Desparecer na Escuridão, como se encontra traduzido em Portugal, – sem falar da sua Autora já que o livro é o seu diário. O mesmo é, sobretudo, um compêndio das suas notas, pensamentos e conclusões. Aquando a sua morte, Michelle tinha reunido mais de 3500 ficheiros, dezenas de cadernos, relatórios policiais e 37 caixas de documentos legais relacionados com os crimes do EAR/GSK. Desde 2007, altura em que foi confrontada com a existência destes crimes, ela vivia obcecada com a sua identidade. “There’s a scream lodged permanently in my throat now”, como ela nos escreve. O livro assume, assim, contornos biográficos e procedimentais. 

O leitor é confrontado com relatos de sobreviventes, agentes policiais envolvidos na investigação e ainda as angústias, memórias e pensamentos da própria Michelle. Os factos mais macabros misturam-se, na perfeição, com as descrições sobre o sonho americano e vida idílica da Costa Oeste. Ninguém trancava portas ou janelas. A segurança era mínima porque não era necessária. 

Por se tratar de um livro póstumo, I’ll be Gone in the Dark encontra-se estruturado tendo por base notas e adições editorias o que, para mim, foi problemático. Muitas vezes senti que lia conteúdo repetido e confuso, faltando linearidade. Talvez um epílogo fosse necessário para condensar ou organizar toda a informação a que temos acesso. Se, inicialmente, os factos pareciam ser contados por ordem cronológica, depressa, o critério foi outro. Percorrendo várias décadas, o livro tanto nos falava dos anos 80, como dos 2000. Acabou por ser pouco apelativo, não obstante, o tema. 

Em 21 de abril de 2016, Michelle McNamara morreu. Dois anos e três dias depois, em 24 de abril de 2018, Joseph DeAngelo foi preso e acusado pelos crimes – ainda não prescritos – levados a cabo pelo EAR/GSK. Nesse mesmo ano, um mês antes, foi publicado I’ll Be Gone in the Dark: One Woman’s Obsessive Search for the Golden State Killer, sucesso imediato de vendas. 

Sinopse: 

Este livro tem o enredo, suspense e intensidade de um policial. Trata-se, no entanto, de um livro de não-ficção. McNamara morreu de forma trágica a meio da investigação que procurava identificar o Golden State Killer, responsável por uma onda de violações e assassinatos na Califórnia que se prolongou por mais de dez anos. A Polícia arquivou o caso. Mas McNamara continuou a investigação pelos seus próprios meios. Desaparecer na Escuridão é o relato de anos de investigação sobre a mente de um criminoso impiedoso.

É também o retrato da obsessão de uma mulher pelo fim da impunidade de um assassino. Este livro está destinado a tornar-se um clássico da literatura policial. Os direitos de adaptação para série de televisão foram adquiridos pela HBO.

Publicado, em Portugal, pela Relógio D’água com o título Desaparecer na Escuridão.

Sobre a Autora: 

Michelle McNamara nasceu em abril de 1970 em Illinois. A mais nova de 6 filhos. McNamara tornou-se uma conhecida blogger de true crime norte-americana. Em 2007, iniciou a sua longa investigação sobre a verdadeira identidade do EAR/GSK tendo morrido, em abril de 2016, sem ver aquele que seria o seu único livro, publicado. 

Breve Ficha técnica da Edição lida: 

  • Editora: Faber & Faber
  • Páginas: 344
  • Ano da primeira publicação: 2018
  • Ano da Edição: 2019

Queres ler este livro? Podes comprá-lo aqui (e ajudar o blog a crescer) ou requisitar numa biblioteca perto de ti.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *