Dez citações que eu não consigo esquecer

Adoro livros porque adoro palavras. É simples assim. Gosto de frases, entoações, acentuação, mensagens, sentidos, sintaxes, interpretações e afirmações. Como tal, não é de admirar que, ao longo dos anos, fui anotando frases que, entre os livros que marcaram a minha vida, criaram uma impressão impagável.

São frases que arrepiam e apaixonam, transportando-me, imediatamente, para vidas onde fui feliz. Hoje, decidi partilhar algumas convosco, porque sei que há apaixonados por citações, desse lado. O livro vai e vem, mas as suas palavras, essas ficam connosco para sempre. Algumas estão em Português, outras em Inglês. Algumas ocupam 2 linhas, outras 20. Não há contexto já que os aspetos formais em nada me servem. Apenas me interesso pela substância.

  1. 1984, George Orwell (1949)

“- Não vês que a finalidade da novilíngua é precisamente restringir o campo do pensamento? Acabaremos por fazer com que o crimepensar seja literalmente impossível, pois não haverá palavras para o exprimir. Todos os conceitos de que possamos ter necessidade serão expressos, cada um deles, exclusivamente por uma palavra de significação rigorosamente definida, sendo eliminados e votados ao esquecimento todos os seus sentidos subsidiários. Na Décima Primeira Edição já não estamos longe desse objetivo. Mas o processo continuará muito depois de tu e eu termos morrido.”

2. O Monte dos Vendavais, Emily Brontë (1847)

“O meu sofrimento, neste Mundo, até hoje, tem sido o sofrimento de Heathcliff, tudo quanto suportou, suportei-o eu também como se me fosse, directamente, infligido. A minha única razão de viver, foi ele. Continuaria a existir se ele existisse, embora o resto do Mundo perecesse. Mas se o Mundo continuasse de é e ele desaparecesse, o Universo para mim transformar-se-ia num deserto, passaria a viver como se não fizesse parte dele.”

3. Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago (1995)

“Um, fez uma pausa, parecia que ia dizer o nome, mas o que disse foi, Sou polícia, e a mulher do médico pensou, Não disse como se chama, também saberá que aqui não tem importância.”

4. I Know Why the Caged Bird Sings, Maya Angelou (1969)

“Go wash your face, Sister.” And she went behind the candy counter and hummed, “Glory, glory, hallelujah, when I lay my burden down.” I threw the well water on my face and used the weekday handkerchief to blow my nose. whatever the contest had been out front, I knew Momma had won.”

5. Homens Imprudentemente Poéticos, Valter Hugo Mãe (2016)

“Num abraço, pensava, as pessoas deixavam de se poder ver. Como, se num abraço, fosse indiferente quem estava, mas importasse apenas a convicção com que era dado”.

6. Kafka à beira-mar, Haruki Murakami (2002)

“Todos nós perdemos coisas a que damos valor – diz ele depois de o telefone ter parado de tocar. – Oportunidades perdidas, possibilidades goradas, sentimentos que nunca mais voltaremos a viver. Faz parte da vida. Mas dentro da nossa cabeça, pelo menos é aí que eu imagino que tudo aconteça, existe um quartinho onde armazenamos todas essas recordações. E a fim de compreendermos os mecanismos do nosso próprio coração temos de ir sempre dando entrada a novas fichas, como aqui fazemos. Volta e meia precisamos de limpar o pó às coisas, deixar entrar o ar, mudar a água das plantas. Por outras palavras, cada um vive para sempre fechado dentro da sua própria biblioteca.”

7. A Metamorfose, Franz Kafka (1915)

“Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfosear num monstruoso insecto.”

8. Lolita, Vladimir Nabokov (1955)

“Lolita, brilho da minha vida, fogo dos meus flancos. Minha alma, minha lama. Lo-lii-ta: a ponta da língua enrola no palato e desliza três socalcos, até que estava, ao terceiro, nos dentes. Lo. Li. Ta.”

9. A Guerra Não tem Rosto de Mulher, Svetlana Alexievich (2013)

“… de que a nossa memória é um instrumento longe de ser ideal. Além de ser arbitrária e caprichosa, está acorrentada, como um cão, ao tempo. … de que olhamos para o passado a partir do hoje, não podemos olhar a partir do nada. … de que elas estão enamoradas do que lhes aconteceu, porque foi tudo, não apenas a guerra, mas também a sua juventude. O primeiro amor.”

10. O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas (1846)

“- Meu amigo – respondeu Valentine -, não acabou o conde de nos dizer que toda a sabedoria humana se resume nestas palavras: “Aguardar e ter esperança!”.

Conhecem estas citações? Costumam sublinhar livros? Ou escrever as citações que mais gostam? Contem-me tudo!

Boas Leituras.

(4) Comments

  1. Helga Lima says:

    Conheço várias, todas elas igualmente marcantes, para mim. Devo dizer que “O monte dos Vendavais” é dos meus livros favoritos. Chamo-lhes “livros obsessão” 🙂 “I am Heathcliff” 🙂
    Parabéns pelo blogue!

    1. Daniela Guimarães says:

      Muito obrigada, Helga! O Monte dos Vendavais é, também, dos meus favoritos. Um romance negro e complexo com personagens tão cativantes. Daqueles que recomendo, de olhos fechados.

  2. Sara (Sam Livralma) says:

    Normalmente coloco post its a marcar as passagens que mais gosto. Conheço 3 e são dos que considero livros que me causaram bastante impacto. Só de ler o da Lolita arrepiou-me a espinha, adorei o Monte dos Vendavais e lembro-me perfeitamente do momento e o do Conde de Monte Cristo derreteu-me o coração – Wait and Hope.

    1. Daniela Guimarães says:

      Os três que referiste são livros da minha vida! Histórias excecionalmente bem escritas que merecem cada segundo da nossa atenção. 🙂

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