Livros que chegaram cá a casa em janeiro #1

Dizem que janeiro é o mês mais longo do ano. Talvez, tenha a ver com o facto do nosso consumo aumentar exponencialmente na época natalícia deixando, consequente, as nossas carteiras delapidadas. Ora, naturalmente, não sou exceção e também, para mim, janeiro foi terrivelmente longo. Porém, a vantagem de se adorar clássicos e livros antigos é que, facilmente, se encontram coisas boas a preços pornográficos. Foi o que me aconteceu em janeiro, razão pela qual, adquiri um absurdo número de títulos para a minha coleção.

Eu sei que há muitos leitores que procuram combater o consumismo e que publicações, como esta, podem ser recebidas com grande reserva. Todavia, e numa pequena nota – pois este é tema que merece uma publicação em condições – é preciso perceber que muitos de nós, leitores, são também colecionadores. No meu caso, ambiciono uma enorme biblioteca de edições clássicas e, quando tiver carteira para isso, raras. Sendo essa uma dimensão importante da minha vida, resolvi criar esta rubrica mensal que se destinará à partilha das mais recentes adições às estantes cá de casa. Para além das compras, divulgarei os livros recebidos pelas Editoras, num registo de total transparência.

Janeiro foi um mês incrível porque conheci, finalmente, a querida Luísa Bonito. Fui visitá-la a Coimbra e para além de me oferecer um saco cheio de livros, a Luísa ainda me levou a passear por alguns alfarrabistas em Coimbra, sendo de destacar a Feira de Velharias da Cidade – que acontece ao quarto sábado de cada mês. Há um mundo por descobrir nessa feira! Aconselho muito a sua visita.

Quanto aos livros, e sem mais demoras, a Luísa Bonito ofereceu-me sete(!) títulos incríveis em excelente estado de conservação. O melhor de tudo? As mensagens cheias de carinho escritas nas respetivas contracapas.

  1. O Drama de João Barois de Roger Martin du Gard – Romance do Prémio Nobel da Literatura de 1937 que, nas palavras da Editora Inquérito, “resume em si todo o drama do pensamento moderno: o conflito da religião e da ciência, da razão e da razão de Estado. Poderá o catolicismo manter-se cristalizado no sentido literal dos dogmas, ou terá que aceitar uma interpretação simbolista? Qual, em definitivo, o valor incontroverso da ciência?”. Escrito em 1913, o livro encontrou clara inspiração no caso Dreyfus que dividiu a Terceira República Francesa entre 1894 e 1906, expondo grosseiros erros judiciais causados por preconceito e antissemitismo.
  2. Orgulho e Preconceito de Jane Austen – Livro que dispensa grandes apresentações. Curiosamente, nunca li nada de Jane Austen. O presente da Luísa não poderia ser mais certeiro.
  3. O Coração de Shirley de Charlotte Brontë – Shirley foi o segundo romance publicado por Charlotte Brontë, precedido pelo afamado Jane Eyre. Tendo lugar em Yorkshire, entre 1811-1812, este é um romance histórico e social importante que aborda a grande depressão industrial e o surgimento do movimento organizado Luddite. Curiosidade: segundo as minhas pesquisas, não há edições atuais do livro em português o que torna este presente ainda mais valioso.
  4. Viagens com o Charley de John Steinbeck – Mais um título de Steinbeck para a coleção! Viagens com o Charley é um relato de viagem autobiográfico publicado em 1962. O autor conta-nos as aventuras vividas por si e pelo se poodle Charley numa viagem de auto-caravana pelos Estados Unidos, realizada em 1960. Para uma amante de viagens e história, não poderia haver melhor escolha literária.
  5. Nossa Senhora de Paris, de Vitor Hugo – Dizer que esta edição é belíssima, é pouco! Da extinta Guimarães & Cª, a mesma data de 1957 contanto, por isso, as histórias das inúmeras mãos que lhe pegaram. Nossa Senhora de Paris é um dos romances mais conhecidos de Vitor Hugo sendo por isso alvo do meu mais aguçado interesse. Segundo a sinopse, o mesmo tem lugar em Paris, “em plena Idade Média. A sombra da catedral, a bela bailarina Esmeralda desperta paixões. Mendigos e vadios, o poeta Gringoire e o capitão dos guardas Phoebus rodeiam-na e admiram-na e o temível arquidiácono Claude Frollo é levado ao crime. Suspeita e votada ao suplício, Esmeralda é salva pelo sineiro de Nossa Senhora de Paris, Quasimodo, que a protegerá e adorará ate que a morte os una.” Sim, Nossa Senhora de Paris é, também, conhecido como O Corcunda de Notre-Dame.
  6. A Private View de Michael Innes – Sendo eu fã incondicional de policiais, A Private View (nesta edição linda da Penguin Books) cai-me que nem uma luva. Este é o décimo segundo livro de uma coleção de mistério e policial chamada The Inspector Appleby Mysteries Book. Confesso que não conhecia, estando, por isso, ainda mais curiosa com a sua leitura. No centro da narrativa, encontra-se o inspector Appleby que, arrastado para uma exposição de arte organizada em homenagem a um pintor assassinado, se depara com um furto inexplicável.
  7. The Case of the Buried Clock de Ele Stanley Gardner – Mais um policial intrigante. Desta vez, o protagonista é Perry Mason, um advogado, que contratado para defender a esposa de um corrupto assassinado, depara-se com um mistério mais complexo do que o que imaginava. Escrito em 1943, este livro teve direito a adaptação televisiva.

A acompanhar os livros, vieram ainda quatro marcadores lindos adquiridos à Bárbara do perfil do instagram @olhaoqueeujali. Visitem e falem com ela porque o trabalho é muito bom e personalizado.

Quanto a editoras, já sabemos que não sou muito apologista de pedir títulos para ocupar espaço. Este mês, recebi apenas um livro – pedido por mim – em formato ebook que, já devem saber, aprecio e aconselho. No caso, o recebido foi Uma Família Quase Normal de Mattias Edvardsson, lançado, este mês, pela Editora Suma – chancela da Penguin Random House. Leitura reservada para fevereiro .

Sim, ficam em falta vários outros livros que cá chegaram – desta vez, porque eu os comprei – mas não fiquem impacientes. Serão divulgados, nas próximas publicações.

Boas leituras!

(2) Comments

  1. Helga Lima says:

    O Coração de Shirley de Charlotte Brontë é mesmo valioso! Sou completamente “devota” das obras das irmãs (e também do irmão) Brontë, bem como das suas vidas. Depois quero saber a opinião desta preciosidade! Boas leituras!

    1. Daniela Guimarães says:

      Confesso que só conheço o trabalho da Emily. O Monte dos Vendavais é um dos livros da minha vida. Sou completamente fascinada com a história de Heathcliff e Catherine ❤️

      Obrigada!
      Boas Leituras!

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