As Raparigas Esquecidas de Sara Blædel

As Raparigas Esquecidas de Sara Blædel segue o tom negro dos seus vizinhos noruegueses e suecos, oferecendo ao leitor uma narrativa envolvente e viciante, porém, pobre em detalhe e complexidade.

Não sei se já partilhei por aqui, mas um dos meus maiores prazeres literários são policiais. Sim, daqueles com um crime bem sórdido na base, imensos plot twists, segredos e, também, clichés. Não é difícil adivinhar que os nórdicos ocupam um lugar de destaque nas minhas estantes. Tal como milhões de pessoas no mundo, também eu descobri o chamado nordic noir com a excecional saga Millenium do Sueco Stieg Larsson. Foi amor à primeira leitura e, desde essa altura, procuro voltar, com bastante frequência, ao género. Foi assim que acabei por ler Autores como Jo Nesbo, Erik Axl Sund ou Hjorth e Rosenfeldt.

Neste contexto, também descobri Sara Blædel, considerada a rainha Dinamarquesa do género. Numa visita à Note It, acabei por encontrar As Raparigas Esquecidas a um preço muito simpático e, curiosa como estava, comprei e iniciei, de imediato, a leitura. À semelhança de outros do mesmo género, este é o sétimo volume de uma coleção protagonizada pela inspetora Louise Rick. Não li os seus antecessores, e também não considerei necessário. Esta é uma daquelas histórias que não exige grande contextualização já que o foco está, claramente, no crime que dá mote a toda a narrativa, e não na vida particular das personagens. Pessoalmente, prefiro assim e aproveito esta review para dizer que detesto coleções. Não percebo porque é que já ninguém consegue contar uma boa história num único livro de 400 páginas. Qual a necessidade de 30 000 volumes? Percebo que seja uma forma do Autor garantir uma rentabilidade estável, mas, enquanto leitora, confesso que não tenho grande paciência.

Mas, não me querendo perder em devaneios…

As Raparigas Esquecidas inicia-se com a descoberta de um corpo no meio de uma floresta dinamarquesa. Naturalmente, o corpo é de uma mulher que, não tendo qualquer identificação, é dona de uma cicatriz, bastante distintiva, no rosto. Louise Rick, recém-nomeada chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, tem a cargo a tarefa de a identificar. Após várias pesquisas nas bases de dados de desaparecidos, a investigadora resolve divulgar a fotografia da vítima nos jornais nacionais. Quando Agnete Eskildsen lhe telefona dizendo conhecer a mulher da fotografia, Louise pensa estar, finalmente, no caminho certo. O problema é que Agnete diz que aquela mulher morreu há mais de 20 anos numa instituição para doentes mentais.

Sim a história tem contornos macabros que envolvem uma instituição para doentes mentais, conhecida em tempos, por dar tratamentos especialmente perversos aos seus pacientes. É negra, chocante e desenvolta, mas não se pode dizer que seja complexa ou original. A premissa “crimes ocorridos em manicómios, há muitos anos atrás” foi já, abundantemente, explorada. A construção de personagens acaba por ser, também, superficial e unidimensional. Gostava de ter visto todo o aspecto concernente ao tratamento dos doentes mentais, mais contextualizado, do ponto de vista histórico. Era interessante conciliar o elemento mistério com história e até, algum, true crime. Por outro lado, ficamos sempre com a sensação de que a Autora não fez uma pesquisa suficientemente densa para poder falar da realidade das instituições de saúde mental. Na verdade, parece que o livro é escrito tendo por base outros livros do mesmo género. Não acrescenta muito.

Todavia, mentiria se dissesse que não devorei este livro. Apesar dos clichés e fórmulas gastas, é um bom thriller para quem quer iniciar o género ou, então, procura uma leitura menos densa, como foi o meu caso. E, sim, tenho já o volume seguinte – O Trilho da Morte – em espera. Como disse, entretém e envolve. 

Sobre o Livro:

Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher.
Passam-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das «raparigas esquecidas» de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes.
Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta.

Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.

Sobre a Autora:

Sara Blaedel iniciou a sua carreira como fundadora de uma editora especializada em policiais e thrillers. Este trabalho aproximou-a do jornalismo, onde acabou por cobrir uma vasta gama de casos de polícia e julgamentos.
Foi nesta altura — e enquanto esquiava na Noruega — que começou a imaginar a trama do seu primeiro romance, Green Dust, com o qual venceu o primeiro de inúmeros prémios, o Danish Crime Academy’s Debutant AwardAs Raparigas Esquecidas, publicado pela Topseller em 2016, é o seu livro mais aclamado, e foi galardoado em 2015 com o Gyldne Laurbær, o mais importante prémio literário da Dinamarca.
Com 1,8 milhões de livros vendidos na Dinamarca, a imprensa e os fãs dinamarqueses nomearam-na por quatro vezes A Rainha Dinamarquesa do Thriller. Os seus livros são bestsellers internacionais e já foram publicados em 37 países. In wook.

Breve Ficha técnica da Edição lida: 

  • Editora: Topseller
  • Páginas: 304
  • Ano da primeira publicação: 2016

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